Orações e Devoções

Oração do Creio: texto completo do Credo Apostólico e Niceno

Mosaico dourado de Cristo Pantocrator na abside de uma basílica antiga iluminada por raios de luz
Imagem ilustrativa gerada por IA.

Oração do Creio completa: Credo Apostólico e Credo Niceno-Constantinopolitano, a diferença entre os dois, quando rezar cada um e o que significa cada artigo da fé.

Por João Alberto Pereira · · 6 min de leitura

Resumo
  • Credo vem do latim credo, "eu creio".
  • O Credo Apostólico é o antigo símbolo batismal da Igreja de Roma.
  • O Credo Niceno-Constantinopolitano foi formulado pelos Concílios de Niceia (325) e Constantinopla (381).
  • Os dois professam a mesma fé; o Niceno detalha mais a divindade de Jesus e do Espírito Santo.
  • O Catecismo da Igreja Católica é organizado, em sua primeira parte, como uma explicação do Credo.

O Creio é a oração em que o católico professa, de forma resumida, tudo aquilo em que a Igreja acredita: um só Deus em três Pessoas, a vida, morte e ressurreição de Jesus, a Igreja, o perdão dos pecados e a vida eterna. Existem duas versões principais: o Credo Apostólico, mais curto, usado no terço e no Batismo, e o Credo Niceno-Constantinopolitano, mais longo, rezado na Missa aos domingos. A seguir estão os dois textos completos e a explicação de cada parte.

Credo Apostólico (texto completo)

Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém.

É o Creio rezado no início do terço. O passo a passo está em como rezar o Rosário.

Credo Niceno-Constantinopolitano (texto completo)

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.

Na Missa, ao dizer "e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem", todos inclinam a cabeça; no Natal e na Anunciação, ajoelham-se.

Qual a diferença entre o Credo Apostólico e o Niceno?

Credo ApostólicoCredo Niceno-Constantinopolitano
OrigemSímbolo batismal de Roma (séculos II-IV)Concílios de Niceia (325) e Constantinopla (381)
TamanhoCurtoLongo
Onde se rezaTerço, Batismo, oração pessoalMissa dominical e solenidades
DestaqueFatos da salvaçãoDivindade de Cristo e do Espírito Santo

O Catecismo explica que o Apostólico "é considerado o resumo fiel da fé dos Apóstolos" e que o Niceno "goza de grande autoridade pelo fato de provir dos dois primeiros Concílios Ecumênicos" (CIC 194-195). O Missal permite usar o Credo Apostólico na Missa, especialmente na Quaresma e no tempo pascal.

Os Apóstolos escreveram o Credo?

Uma tradição antiga, registrada por Rufino de Aquileia no século IV, dizia que cada um dos doze apóstolos teria composto um artigo. Os historiadores consideram essa história uma lenda piedosa. O que é certo é que o texto deriva das perguntas feitas aos batizandos em Roma desde o século II ("Crês em Deus Pai todo-poderoso?") e expressa fielmente a pregação apostólica. Por isso se chama "apostólico": pelo conteúdo, não pela autoria literal.

Por que surgiu o Credo de Niceia?

No início do século IV, o padre Ário, de Alexandria, ensinava que o Filho era uma criatura, a mais alta de todas, mas não Deus como o Pai. O Concílio de Niceia, em 325, respondeu com a expressão "consubstancial ao Pai" (em grego, homoousios): o Filho tem a mesma natureza divina do Pai. Em 381, o Concílio de Constantinopla completou a parte sobre o Espírito Santo, "Senhor que dá a vida".

Terço e livro de oração em uma igreja — ilustração
Imagem ilustrativa gerada por IA.

A expressão "e do Filho" (Filioque) foi acrescentada mais tarde no Ocidente e é um ponto histórico de diálogo com as Igrejas ortodoxas.

O que significa cada parte do Creio?

"Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador"

Professa que Deus é um só, que é Pai e que tudo o que existe vem d'Ele. Crer não é só aceitar uma ideia: é "uma adesão pessoal do homem a Deus" (CIC 150).

"E em Jesus Cristo, seu único Filho"

O centro do Credo é uma Pessoa. Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nascido da Virgem Maria, morto e ressuscitado. "Padeceu sob Pôncio Pilatos" ancora a fé num fato histórico datável.

"Desceu à mansão dos mortos"

Não significa o inferno dos condenados, mas a morada dos mortos que esperavam a redenção. Cristo foi até eles para abrir-lhes as portas do Céu (CIC 633).

"Há de vir a julgar os vivos e os mortos"

A história terá um fim e um sentido. Cada pessoa será julgada segundo suas obras e seu amor. Sobre o destino depois da morte, veja o que a Igreja ensina sobre o purgatório e sobre o inferno.

"Creio no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos"

A comunhão dos santos é a união de todos os que pertencem a Cristo: os que vivem na terra, as almas do purgatório e os santos do Céu. É por isso que pedimos a intercessão dos santos e rezamos pelos falecidos.

"Na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna"

Deus perdoa — pelo Batismo e pela Confissão. E não salva só a alma: no fim dos tempos, os corpos ressuscitarão. O Credo termina com a esperança: a vida eterna.

Quando rezar o Creio?

  • No início do terço, segurando o crucifixo.
  • Na Missa, aos domingos e solenidades, após a homilia.
  • No Batismo e na Crisma, em forma de perguntas e respostas.
  • Na oração pessoal, em momentos de dúvida ou tentação contra a fé. Santo Agostinho recomendava rezá-lo ao acordar e ao deitar, como "espelho" da fé.

Oração final

Senhor, eu creio; aumentai a minha fé. Que eu não apenas repita estas palavras, mas viva de acordo com elas, até o dia em que verei face a face Aquele em quem acredito. Amém.

Fontes

  • Catecismo da Igreja Católica, §§ 150, 185-197, 633.
  • Concílio de Niceia (325) e I Concílio de Constantinopla (381), Símbolo da fé (Denzinger-Hünermann 125, 150).
  • Rufino de Aquileia, Comentário ao Símbolo dos Apóstolos.
  • Santo Agostinho, Sermão 58, 13.
  • Missal Romano, 3ª edição típica brasileira (2023).

Perguntas frequentes

Qual a oração do Creio rezada no terço?

O Credo Apostólico, que começa com 'Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra'.

Qual a diferença entre o Credo Apostólico e o Niceno?

O Apostólico é mais curto e vem do antigo símbolo batismal de Roma; o Niceno-Constantinopolitano, mais longo, foi formulado pelos Concílios de Niceia e Constantinopla e detalha a divindade de Cristo e do Espírito Santo.

Os apóstolos escreveram o Credo?

Não literalmente. A ideia de que cada apóstolo escreveu um artigo é uma lenda antiga; o texto expressa fielmente a fé apostólica e deriva do Batismo em Roma.

O que significa 'desceu à mansão dos mortos'?

Que Cristo, após a morte, foi à morada dos justos que esperavam a redenção, para abrir-lhes o Céu. Não se trata do inferno dos condenados (CIC 633).

Por que se inclina a cabeça no Credo da Missa?

Nas palavras sobre a Encarnação, em reverência ao mistério de Deus que se fez homem. No Natal e na Anunciação, os fiéis se ajoelham.